
Diário de uma Viajante
Cordisburgo, cidade do coração, de Guimarães Rosa e da Gruta do Maquiné
"Cordisburgo era pequenina terra sertaneja, trás montanhas no meio de Minas Gerais. Só quase lugar, mas tão de repente bonita..." Guimarães Rosa
E foi assim que o meu querido Guimarães Rosa descreveu a sua cidade que até hoje carrega os traços de cidade pequenina. Foi no ano de 1883 que o padre João de Santo Antônio fundou o povoado que recebeu o nome de Vista Alegre, pertencente ao Município de Paraopeba, e que em 1938, por meio do decreto-lei nº. 148, originou-se o Município de Cordisburgo. ´´O nome Cordisburgo é uma palavra híbrida formada por ‘cordis’ do latim, coração e ‘burgo’, do alemão, cidade. Daí o significado – Cidade do Coração.``
O Município de Cordisburgo é conhecido por abrigar o Museu Casa de Guimarães Rosa, e diversas grutas, sendo a Gruta do Maquiné conhecida como a maior gruta de Minas Gerais. O município está inserido dentro de dois circuitos, o circuito das Grutas e o Circuito de Guimarães Rosa.
Localizado na região centro-norte do Estado de Minas Gerais, compreendendo limites com os municípios de: Curvelo, Santana de Pirapama, Jequitibá, Araçaí e Paraopeba. Cordisburgo está distante, aproximadamente 120 km de Belo Horizonte por via rodoviária, seu acesso principal, a partir da capital mineira, situa-se na BR – 040, sentido Brasília, sendo 93 km até Pousada Maquiné, entrando à direita na Rodovia MG –231 e mais 22 km até a referida cidade. A partir de Curvelo, cidade situada a noroeste do estado, são 44 km de via rodoviária, sendo 6 km de estrada pavimentada e 38 km de estrada não pavimentada pela MG-754 até Cordisburgo.
Para quem leu as obras de Guimarães Rosa é simplesmente encantador ir até a cidade e entender o universo do autor que ainda carrega todos os seus traços de cidade pequena, acolhedora, com sua população de quase 10mil habitantes. Andar por lá é muito fácil e todas as seus atrativos são bem sinalizadas.
As referencias a Guimarães Rosa são grandes, seja pelo nome escolhido para diversas lojas do comércio local, seja pelos 95 marcos territoriais que sinalizam os locais citados em suas obras e é claro pelo “Museu Casa Guimarães Rosa”, instalado na casa em que ele nasceu, em 1908, e viveu até os seus 9 anos de idade.
O museu como é a antiga casa do autor, não é dos maiores, mas seu acervo é riquíssimo. Alguns cômodos da casa original foram recriados, como a cozinha, a venda e o quarto da avó de Guimarães Rosa, mas o que impressiona mesmo é o acervo dedicado aos seus romances. Ver os rascunhos de suas obras rabiscados a mão e sentir as histórias ganharem vida através de mapas e fotos é emocionante até para quem nunca leu os livros do autor. Para visitar o museu é necessário pagar uma pequena taxa de manutenção no valor de R$ 2,00.
O principal atrativo turístico natural da região é a Gruta do Maquiné que contém sete salões abertos a visitações. E como toda cidade respira Guimarães, veja uma belíssima descrição feita pelo o autor:
E mais do que tudo, a Gruta do Maquiné – tão inesperada de grande, com seus sete salões encobertos, diversos, seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos de luz - ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais glória resplandecente do que uma festa, do que uma igreja. (In.: ”Recado do Morro.” No Urubuquaquá, No Pinhém. João Guimarães Rosa).
A gruta possui cerca de 650 metros de extensão, mas apenas 400 metros são abertos à visitação e as visitas são guiadas. O trajeto é todo iluminado, há pouco desnível e há passarelas nos lugares em que acesso seria mais difícil, mas não há corrimão, então pode ser um pouco complicado para pessoas com dificuldade de locomoção. Vale lembrar que para visitar a Gruta do Maquiné há uma taxa de entrada no custo de R$ 16,00.
Esta gruta é a maior do Circuito das Grutas, e possui uma boa infraestrutura para o recebimento de turistas. Contudo, na região existem inúmeros outros atrativos naturais do mesmo segmento, que não dispõem de mesma infraestrutura. Entre estes estão:
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A Gruta do Tobogã, localizada na Fazenda do Marco Túlio;
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A Gruta do Santo Amaro, localizada na Fazenda Santo Amaro;
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A Gruta da Morena, localizada na Fazenda Guanabara;
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A Gruta dos Porquinhos, localizada na Fazenda HMS;
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A Gruta da Vaca Preta, localizada no Povoado do Onça;
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A Gruta do Tão Lucas, localizada na Fazenda do Tão Lucas;
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E a Gruta do Salitre, localizada nas proximidades da Gruta do Maquiné.
Além desses atrativos o município possui muitos outros, como o Córrego do Tamboril, localizado na Fazenda do Tamboril - Povoado da Onça; A Cachoeira de Maquiné, a 15km de Cordisburgo; A Lagoa do Jaime Diniz, localizada na Fazenda Boa Esperança; A Lagoa dos Currais, localizada na Estrada Municipal 1 a 12km de Cordisburgo; e o Poço Azul, localizado na Fazenda Jatobá – Distrito de Maquiné.(Tali).
O município possui também inúmeros atrativos artificiais e culturais, eventos e monumentos que agregam valor a atividade turística local que são eles: Zoológico de Pedras Peter Wilhelm Lund; igrejas; estação ferroviária local e; Festa da Abóbora.
O zoológico de pedras que leva o nome do cientista responsável pelo trabalho que destacou a Gruta do Maquiné como “Berço da Paleontologia Brasileira”, o Peter Lund, possui como atração principal, as réplicas de animais pré-históricos de períodos geológicos distintos.
Existem ainda na cidade também três igrejas católicas antigas - Capela do Patriarca São José, Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, Igreja Matriz de Santo Antônio que são graciosas.
Outro atrativo, que merece ser lembrado, é a Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa, esta é constituída por escritores, poetas e artesãos da palavra e da arte. Vale ressaltar que a Academia desperta interesse de poetas e intelectuais de todo o mundo, segundo uma das criadoras do projeto, Sinhá Araújo. É importante destacar a existência do grupo de Contadores de Estórias “Miguilim”. Um show cultural Contos e Cantos, com narração de contos de João Guimarães Rosa e apresentação de modas de viola. E também da Caminhada Eco-Literária, com travessias por lugares citados nas obras de Guimarães Rosa, regado com narrações de contos. E por último do grupo de Seresta ”Lua, Flor e Sertão”.
A cidade do coração reflete seu nome e é super bem receptiva, os seus moradores são gentis para dar qualquer informação o que às vezes nos faz até esquecer que não nos conhecemos e entender o porquê de Guimarães amar tanto essa pequena cidade.
E antes de fazer a sua mala para ir para Cordisburgo, não se esqueça de ir com roupas confortáveis para andar, ir de tênis, pois se desejar entrar na gruta é necessário; além de levar óculos, protetor solar e é claro levar a máquina fotográfica. Vale dizer ainda que a maioria do comércio ainda não aceita cartão de crédito, por isso leve dinheiro em espécie.
Até a nossa próxima viagem.
Fernanda Brito
